A proposta do Governo Federal é aumentar o salário mínimo de R$ 788 para R$ 854

O salário mínimo nacional está atualmente em R$ 788. No entanto, o Governo Federal propôs que a partir de janeiro do ano que vem, o valor aumente para R$ 854. O aumento é de R$ 66 e equivale a 8,37%. Com dez meses ainda para a possível alta do salário, a equipe do Diário fez uma enquete para saber a perspectiva dos porto-velhenses perante este aumento.

A reação da maioria foi uma só: “Com a inflação do jeito que está, esse aumento não significa nada”, destacou o mototaxista Davi Andrade. Com anos de trabalho autônomo como mototaxista, Andrade explica que o preço das coisas estão aumentando todos os dias e que o aumento no salário mínimo não representaria um ganho real para a população.

A gerente de uma loja de roupas no Centro da capital afirmou que o aumento para R$ 854 é pouco em vista do preço das coisas nos dias atuais, em que uma visível crise econômica assola o País. “O aumento não é efetivo, pois com o preço das coisas lá em cima, o que as pessoas vão receber de aumento na verdade será apenas para cobrir os gastos que já estão tendo a mais – sendo que nem para cobrir tudo deve dar”, explica.

Já o estudante Róger Silva destacou que sempre que há um aumento no salário mínimo, os produtos e serviços também entram “no embalo” e sobem os preços. “Eu acho que se o salário mínimo aumenta, as coisas vão aumentar mais ainda. As lojas e prestadoras de serviço sempre elevam os preços assim que tomam ciência de que as pessoas estão com mais dinheiro”, afirma.

Valor do salário mínimo nominal em janeiro de cada ano (em Reais)

Valor para os próximos anos já estimado 

O valor de R$ 854 conta na proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) divulgada esta semana pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. O documento também prevê que o salário mínimo para 2017 será de R$ 900,10 – aumento de 5,38% com relação ao salário fixado para a partir de janeiro de 2016.

Já para 2018, o aumento previsto pelo Governo Federal será 6,77% com relação ao salário-base de 2017. Ou seja, de R$ 900,10 saltará para R$ 961. Porém, a sensação entre os entrevistados é de que apesar de parecer mais dinheiro no bolso, não será bem assim. “A inflação já está lá em cima, então parece mais dinheiro, mas, na verdade, pagaremos mais pelo mesmo que temos hoje”, afirma Ênio Oliveira – que também trabalha como mototaxista em Porto Velho.
A afirmação de Oliveira é atestada pelo projeto de Lei que estipulou o novo salário mínimo. A inflação, antes prevista pelo Banco Central de 7,9 para o ano de 2015, deve fechar o período com alta de 8,2%. Entretanto, o cenário não é assustador para o ministro de Planejamento Nelson Barbosa, que prevê inflação abaixo da meta para 2016, 2017 e 2018.

“O esforço fiscal do governo é essencial para o País retomar o crescimento sustentado, que está em acordo com as expectativas de mercado e que é socialmente responsável para cumprir as metas do governo”, explicou o ministro.

O valor do salário mínimo ainda pode sofrer alterações até ser colocado em prática

Prioridades de compra e consumo estão sendo revistas

De acordo com os entrevistados na enquete, as prioridades de compra e consumo estão sendo revistas desde que o cenário de crise econômica se estabeleceu no início deste ano. Porém, a tendência é de que o controle sobre os gastos só aumente, como revela Davi Andrade. “Já estamos revendo as prioridades de consumo e vendo o que realmente devemos comprar ou não e, daqui para frente, faremos isso com mais frequência”, informa.

Outro ponto destacado por ele é a falta de sabedoria em administrar o dinheiro que faz as pessoas criarem dívidas. “O salário já não está tão bom, os preços sobem todo dia, então é importante termos esse entendimento de adquirir apenas o necessário. Sem gastar com coisas que não são importantes”, afirma.
E se os novos valores de salário mínimo serão bem-vindos a questão é incerta. A maioria dos entrevistados não soube responder se o aumento traria mais benefícios que vantagens. “É melhor que aumente que ficar pagando mais com pouco dinheiro”, disse o estudante Róger Silva.

Valor ainda pode sofrer alterações

O valor do salário mínimo ainda pode sofrer alterações até ser colocado em prática. Isto porque, até janeiro de 2016, há a revisão da inflação e também do Produto Interno Bruto (PIB) – que é a soma de tudo o que é produzido no País e ano passado teve aumento de apenas 0,1%. Outra estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) da semana passada revelou que a expectativa do mercado financeiro para a inflação é de 8,34%.

 

 

Emerson Machado
DIÁRIO DA AMAZÔNIA