Baixo estoque de sangue causa suspensão do tratamento de crianças com câncer em Rondônia

O baixo estoque de sangue na Fundação Hemeron-Banco de Sangue (Fhemeron) causa atrasos no tratamento de crianças com câncer, no Hospital de Amor Amazônia, em Porto Velho (RO). Segundo a Fhemeron, é necessário uma média de 100 doadores por dia para manter o estoque de bolsas.

A Dra. Carolina Álvares, oncopediatra do Hospital de Amor Amazônia, explica que para dar continuidade ao tratamento de crianças com leucemia é necessário a transfusão de plaquetas. Atualmente, as unidades de plaquetas não são suficientes para suprir as necessidades dos pacientes.

“A gente também tem pacientes com procedimentos cirúrgicos que foram suspensos porque não tinham plaquetas suficientes para poder prepará-los para fazer o procedimento”, disse a Dra. Carolina Álvares.

Além disso, a quantidade de unidades de plaquetas para transfundir em uma criança varia de acordo com o peso e altura do paciente. No Hospital de Amor Amazônia, há crianças que precisam de duas unidades de plaqueta. Outras precisam de mais unidades, variando de 5 a 8.

“Tem paciente que, dependendo da fase de tratamento, precisam fazer transfusões diárias. A gente tem um alto índice de transfusão nessas crianças. Tem paciente que está internado com plaquetopenia. A gente consegue transfundir, mas irregularmente nesse período”, explica a Dra. Carolina Álvares.

Um dos maiores problemas é que algumas crianças não estão recebendo a quantidade de transfusão adequada. Então eles recebem menos, isto porque o estoque de sangue é baixo.

Qual a importância das plaquetas?

A diminuição do número de plaquetas no sangue prejudica a coagulação. Os sintomas causam manchas roxas ou avermelhadas na pele, além de sangramento nas gengivas, nariz e urina avermelhada.

A princípio, as plaquetas são responsáveis pela coagulação do sangue e cicatrização de feridas, além de impedir hemorragias. Com a baixa quantidade de plaquetas no corpo, o paciente corre o risco de ter sangramentos, que podem levar à morte.

Todas as vezes que um paciente está com nível baixo de plaquetas e não tem unidades para fazer a transfusão, o tratamento precisa ser suspenso, como explica a Dra. Carolina Álvares.

“A produção de plaquetas cai devido à doença e também em decorrência da quimioterapia. Isto porque o tratamento destrói tanto as células ruins quanto as boas. E por isso a gente tem crianças aqui que ainda não realizaram procedimentos de tratamento. Porque não tinham condições por falta de plaquetas”, disse.

Baixo número de doadores

Baixo estoque de sangue na Fhemeron em Porto Velho (RO) – Foto: Divulgação

As cidades do interior do estado possuem uma alta demanda de sangue. No entanto, o número de doadores nessas regiões é baixo. Por conta disso, as bolsas de sangue, que deveriam abastecer as unidades de saúde em Porto Velho, são levadas ao interior. “É importante que o interior doe sangue, porque precisando lá, é retirado bolsas da capital, e falta para quem precisa aqui”, disse a Dra. Carolina Álvares.

A oncopediatra ressalta o quão fundamental é a participação dos moradores de Rondônia na doação de sangue. “É muito importante a colaboração da comunidade do modo geral. Porque hoje em dia a gente tem criança em tratamento e que não está conseguindo dar continuidade por causa da falta da plaqueta e das hemácias. E isso é uma contribuição da sociedade de um modo geral”, concluiu.

No início de novembro, havia apenas 86 bolsas de sangue O+ e 53 de A+ para o atendimento à rede hospitalar em Porto Velho. Atualmente, são os dois tipos de sangue mais utilizados em transfusões. “Vivemos uma queda bem drástica, precisamos recompor o estoque rapidamente, porque se aproxima o fim de ano e a demanda certamente aumentará”, disse a coordenadora de captação da Fhemeron, Maria Luíza Pereira.

Para se tornar um doador de sangue, é necessário:

• Ter idade entre 16 e 69 anos;
• Pesar mais de 50 quilos;
• Não estar grávida;
• Estar alimentado (evitar alimentação gordurosa nas 4 horas que antecedem a doação);
• Estar descansado (ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas);
• Estar em boas condições de saúde;
• Não ser epilético;
• Ter intervalo de doação de sangue de mais de 60 dias (homem) ou 90 dias (mulher);
• Apresentar documento original com foto recente, que permita a identificação do candidato, emitido por órgão oficial (Carteira de Identidade, Cartão de Identidade de Profissional Liberal, Carteira de Trabalho e Previdência Social).

Clique aqui e veja quais as restrições para doar sangue.

Endereços para doação de sangue

• Porto Velho – Hemocentro Coordenador

Endereço: Benedito de Souza com Jorge Teixeira, 3766

Telefone: (69) 3216-2234 e (69) 9 8464-0125 (WhatsApp)

Atendimentos de segunda à sexta-feira, das 7h15 às 18h

• Ariquemes

Endereço: Cassiterita, 3613, Centro

Telefone: (69) 3535-2659

Atendimentos de segunda à sexta-feira das 7h15 às 12h

• Cacoal

Endereço: Av. Malaquita, s/nº, Bairro Josino Brito, ao lado do Hospital Regional

Telefone: (69) 3441-0823

Atendimentos de segunda à sexta-feira das 7h15 às 12h

• Ji-Paraná

Endereço: Vilagran Cabrita, 1440, Centro

Telefone: (69) 3421-1615

Atendimento de segunda a sexta-feira das 7h15 às 12h

• Rolim de Moura

Endereço: Av. Cuiabá, 5424, Bairro Planalto, ao lado do Hospital Municipal

Telefone: (69) 3442-1328

Atendimento de segunda à sexta-feira das 7h15 às 12h

• Vilhena

Endereço: Av. Jô Sato, 405, Bairro Nova Vilhena

Telefone 3321-5147/ 3321-1291 ou 99240-6211

Atendimentos às segundas e sextas-feiras-feiras das 7h às 12h15;

Às terças, quartas e quintas-feiras das 7h às 18h15

Por Fabiano do Carmo / Diário da Amazônia
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