OPINIÃO – A difícil e importante escolha do candidato a vice-governador de Rondônia

Um dos desafios dos candidatos a governador nas eleições gerais de outubro do próximo ano é a escolha do vice. Hoje a opção é carregada de maior responsabilidade, porque não teremos as coligações, que facilitavam as composições, algumas até, consideradas, “impossíveis”, mas que acabavam se concretizando devido a interesses mútuos.

Hoje temos vários nomes de ponta para concorrer ao cargo de governador e vice, várias lideranças com poderio de voto na capital e no interior. A primeira dama de Porto Velho, Ieda Chaves é um nome relevante, com força eleitoral na capital, maior colégio eleitoral do Estado (mais de 320 mil votos nas eleições de 2020), que estaria sendo sondada para uma candidatura a vice.

Estão na lista de candidatos à sucessão estadual em 2022 o senador-licenciado (4 meses) Confúcio Moura (MDB), o senador Marcos Rogério, que até a fusão do DEM com o PSL e a criação do União Brasil, presidia o Democratas no Estado e o ex-senador Expedito Júnior, que provavelmente se filie ao PSD, comandado no Estado pelo seu filho, o deputado federal Expedito Netto, governador Marcos Rocha à reeleição, ex-governador Ivo Cassol e deputado federal Léo Moraes (Podemos).

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Confúcio Moura vem defendendo nas várias reuniões em que tem participado pelo interior do Estado, que o MDB deve concorrer em 2022 com chapa “Puro Sangue” argumentando, que o partido tem condições e suporte político suficientes para isso e também em razão do fim das coligações partidárias. E o MDB tem lideranças como Confúcio a governador e o ex-presidente da Assembleia Legislativa (Ale), Maurão de Carvalho, vice. Maurão foi candidato a governador em 2018 e perdeu para o atual chefe do executivo estadual, Marcos Rocha, na época no PSL, pela diferença de 10.001 votos. Rocha venceu no segundo turno a Expedito Júnior (PSDB).

Caso Maurão não seja o vice de Confúcio, uma parceria tendo a primeira dama da capital, Ieda Chaves para o cargo também não deixa de ser uma opção coerente. O prefeito-reeleito de Porto Velho, Hildon Chaves, ainda, no PSDB, mas com caminho aberto para o PSD, realiza um trabalho dos mais elogiados e é bom de voto. Com a força política de Confúcio, no interior, após dois mandatos seguidos de governador e o amplo e elogiável trabalho social de Ieda na capital, uma parceria tem muitas chances de sucesso nas urnas.

Um dos políticos de força eleitoral no Estado, o ex-senador Expedito Júnior, desde outubro de 2009 sem mandato tem condições de formatar uma parceria com Ieda Chaves. Júnior é muito forte eleitoralmente no interior e Ieda garantiria parte significativa dos votos na capital, onde ela realiza, mesmo de forma simples, quase sem divulgação um trabalho dos mais elogiáveis junto à comunidade carente. O problema é que Expedito deverá optar pela candidatura à única das três vagas ao Senado, onde seria praticamente imbatível.

Outro nome expressivo para concorrer a governador é do senador Marcos Rogério, que é destaque nacional da CPI do Covid-19, na defesa do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido). Apesar de Marcos Rogério estar muito bem cotado para disputar a sucessão estadual, comenta-se em Brasília, que ele deverá assumir um ministério ou cargo de destaque no governo federal. Uma união Marcos Rogério/Ieda Chaves tem ótimas chances de sucesso na corrida para governar o Estado a partir de 2023.

Uma parceria de Ieda Chaves com o ex-governador Ivo Cassol (PP) seria praticamente uma dupla difícil de ser batida. Cassol está se ajustando juridicamente, e, conseguindo a elegibilidade, que já estaria definida e tendo Ieda como vice, acreditamos que as chances são amplas de sucesso nas urnas. Cassol governou o Estado em dois mandatos seguidos, renunciou para concorrer –e se eleger– ao Senado em 2018 e tem identificação bem próxima com a maioria dos eleitores do interior. Fechando com Ieda na capital tudo ficaria “menos difícil”.

Também temos outros nomes em condições de candidatar-se com chances ao cargo de governador nas eleições do próximo ano. É o caso do deputado federal e presidente regional do Podemos, Léo Moraes. A recente filiação do ex-juiz federal Sérgio Mouro ao partido e seu nome lançado como candidato a presidente da República poderá favorecer sua candidatura. A possibilidade de ter Ieda como vice são remotas, pois ambos têm maior intimidade com o eleitoral da capital e o interior ficaria ignorado.

O mesmo caso ocorre com o governador Marcos Rocha, que deverá assumir a presidência do União Brasil em Rondônia. Rocha também concentra os seus votos em Porto Velho, seu domicílio eleitoral. O ideal numa campanha política é que um seja do interior e parceiro da capital. Mas Rocha é um candidato de Porto Velho, porém vem realizando um trabalho com ótima repercussão no interior com os programas “Porteira Adentro”, “Tchau Poeira” e “Governo na Cidade”.

Sem a coligações as parcerias entre os partidos ficam limitadas. Confúcio não deixa de ter razão quando argumenta, que o MDB deve ter chapa “Puro Sangue”. Mas a composição com candidatos da capital e interior é fundamental. O eleitorado do interior elegeu os governadores Valdir Raupp, José Bianco, Ivo Cassol (dois mandatos seguidos), Confúcio Moura (dois mandatos seguidos) e somente em 2018 perdeu a hegemonia para a capital, com a eleição de Marcos Rocha.

Negar que não há rivalidade entre capital e interior na escolha do governador é acreditar no sexo dos anjos. Mesmo sem as coligações, a possibilidade de parcerias entre os candidatos a governador e vice neste período de pré-convenções partidárias, que deverão ser realizadas em abril do próximo são grandes as possibilidades de uma parceria entre candidatos da capital e do interior, desde que sejam bons de votos.

Por Waldir Costa / Rondoniadinamica

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