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Segunda-feira, 04 de março de 2024




OPINIÃO: BR-364: O “Corredor da Morte” continua contabilizando óbitos

A “novela” de todos os anos em Rondônia no período de inverno amazônico (seis meses com chuvas quase que diárias) se mantém este ano. Devido às chuvas constantes a mais importante rodovia federal no Estado, a BR 364, já tem trechos com o trânsito comprometido, como na região de Itapuã do Oeste, com maior ênfase contribuindo para o aumento significativo dos acidentes, boa parte deles com vítimas fatais.

Não é por acaso que a BR 364, no trecho de aproximadamente 700 quilômetros entre Porto Velho e Vilhena, na divisa com o Mato Grosso é chamado de “Corredor da Morte”, devido ao elevado número de acidentes fatais. Este ano o período de chuvas está terminando e nada mudou, pois a 364 está com trechos esburacados, quase intransitáveis como em Itapuã do Oeste, cerca de 100 quilômetros distantes de Porto Velho, e com um problema antigo, nas imediações do Tênis Clube, na ligação da capital com Candeias do Jamari de aproximadamente 20 quilômetros. Uma parte da pista, que é dupla, desbarrancou e a passagem está limitada a uma pista.

A BR 364 no trecho Porto Velho/Vilhena movimenta durante os períodos de safras de grãos (soja e milho) em torno de 2,5 mil veículos pesados (carretas, bitrens e treminhões) por dia. A rodovia foi construída na década de 80 e nunca foi refeita, apenas “remendada” com tapa-buracos e recapeamento, mas sem a restauração e adequação do alicerce, que não tem condições de atender a demanda de veículos atual, tanto de carga como em tráfego.

Há anos a bancada federal vem sendo cobrada, pois a adesão de Rondônia na produção de soja e milho em quantidade na última década, e de exportar a maior parte do que produz pelo porto graneleiro de Porto Velho, no rio Madeira contribuíram de forma significativa o aumento do tráfego na 364. Boa parte da produção de soja e trigo do Mato Grosso também é exportada pelo porto da capital de Rondônia, que aumenta o transporte de grãos pela BR.

Nas últimas semanas, diariamente ocorrem acidentes na BR 364, a maioria capotamentos ou colisões frontais. Para desviar de buracos os motoristas acabam invadindo a pista contrária, porque o acostamento também, não condiz com a realidade do elevado tráfego de veículos favorecendo os acidentes e enlutando dezenas de famílias.

A 364 é uma via federal, portanto, de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte-Dnit. O tapa-buracos é uma maneira de favorecer empreiteiras, pois não resolve o problema, somente ameniza durante um período e tem que ser feito todos os anos. Não há interesse em refazer o alicerce e adequá-lo para o tráfego atual, muito mais pesado e intenso.

Como o Dnit é federal não depende de ações do governo do Estado, mas do Federal. Ocorre que a bancada federal de Rondônia (oito deputados e três senadores) não tem força –ou boa vontade– em cobrar de forma veemente a restauração da BR 364 e não somente o tapa-buracos (caça-níquel) anual das empreiteiras.

O governo federal tem que ser conscientizado e cobrado. A exportação da produção de soja e milho de Rondônia e parte do Mato Grosso pelo rio Madeira é importante no fortalecimento das divisas para o Estado e o País, ampliando a arrecadação e fortalecendo a economia.

Deputados federais e senadores devem buscar apoio do governo do Estado, Assembleia Legislativa (Ale), prefeitos e vereadores, para uma ampla mobilização em favor da restauração e adequação da BR 364, que deve estar entre as prioridades do governo federal.

Em seguida a reformulação total dos cerca de 700 quilômetros da 364, o trecho deve ser duplicado, pois nos períodos de safras uma viagem de Porto Velho a Ariquemes, por exemplo, com cerca de 200 quilômetros, mesmo com a pista sem buracos demora 3 horas ou mais em razão do enorme movimento de veículos pesados. Sem condições de realizar uma ultrapassagem segura, os motoristas de carros de passeio andam horas atrás dos veículos pesados. Quem ousa acaba se acidentando, por isso o enorme índice de colisões, a maioria com óbitos. Não é por acaso que o trecho é chamado de “Corredor da Morte”.

Acorda bancada federal de Rondônia! A BR 364 clama por socorro.

Por Waldir Costa / Rondônia Dinâmica


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